quinta-feira, 9 de maio de 2013

Feliz Aniversário Pierre de Meuron! | ArchDaily Brasil


Feliz Aniversário Pierre de Meuron!

Há 63 anos, em Basiléia, nascia o arquiteto Pierre de Meurom. Sua obra é indissociável da de seu companheiro de estudos (no ETH em Zurique, Suíça) e trabalho, Jacques Herzog. Pierre é, desde 1978, uma das duas metades do prestigioso escritório Herzog & de Meuron.
“A arquitetura é uma oportunidade de iluminar plenamente os espaços em que vivemos e trabalhamos, para criar uma experiência que atraia todos os sentidos”.
Na seqüência, uma breve retrospectiva profissional.

O conjunto de sua obra se caracteriza pelas soluções imaginativas e sensíveis das condicionantes e problemas da arquitetura. Respostas que vão desde o detalhe artesanal até o uso da tecnologia. Como eles mesmos descrevem, o uso da luz como qualificadora dos espaços é um aspecto chave de suas obras.”
Devido a esta combinação, rapidamente atraíram o reconhecimento internacional. Foram laureados com o Prêmio Pritzker em 2001, com a RIBA Royal Gold Medal e com o Prêmio Imperial em 2007.
Herzog & de Meuron têm projetado obras que vão desde a pequena escala -casas e edifícios residenciais – até a grande escala –  com projetos urbanos, de estádios, museus e fábricas.
Algumas de suas mais importantes obras são o Edifício Fórum (Barcelona), o Tate Modern (Londres), o Kuppersmuhle Museum (Duisburgo, Alemanha), a Biblioteca Eberswalde Technical (Eberswalde, Alemanha), o Espaço das Artes e a Plaza de España (Santa Cruz de Tenerife, Espanha).
Parabéns pelos 63 anos, e que realize muitos outros projetos!

Citar: Baratto , Romullo . "Feliz Aniversário Pierre de Meuron!" 08 May 2013. ArchDaily. Accessed 09 May 2013. <http://www.archdaily.com.br/112583>

X BIENAL DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO | ArchDaily Brasil


X BIENAL DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO

A X Bienal de Arquitetura de São Paulo será realizada de 28 de setembro a 24 de novembro de 2013, com a curadoria de Guilherme Wisnik, Ana Luiza Nobre e Ligia Nobre.
Com o tema Cidade: modos de fazer, modos de usar, a X Bienal tem como objetivo expandir a atenção sobre a cidade em suas múltiplas dimensões e escalas, seja pela sua construção e desenho, seja pelos mais variados usos e apropriações dos seus habitantes.
Reforçando esta intenção, a Bienal propõe uma chamada aberta de trabalhos, práticas e propostas, cujos selecionados serão expostos no Centro Cultural São Paulo e na Plataforma da Estação de Metrô Pedro II, os dois pontos estratégicos da grande rede que compõe a Bienal.

São convocados trabalhos, práticas e propostas de dimensão urbana e pública, ainda que não necessariamente em grande escala e/ou em espaço público. Interessam, por exemplo, práticas e propostas (arquitetônicas, urbanísticas, artísticas, políticas) que subvertam ordens prévias, lidem com situações de conflito e revejam criticamente os usos da cidade. Não há limitações disciplinares ou programáticas para as propostas a serem apresentadas.
As propostas serão selecionadas pela curadoria da X Bienal de Arquitetura de São Paulo com base no envolvimento com o tema geral e na sua exequibilidade nos espaços.
A organização geral do evento é de responsabilidade do Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento São Paulo (IAB-SP) e a produção executiva é realizada pela empresa Arte3. No site do IAB estão disponíveis o Edital e a Ficha de Inscrição.
Via IAB
Citar: Baratto , Romullo . "X BIENAL DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO" 08 May 2013. ArchDaily. Accessed 09 May 2013. <http://www.archdaily.com.br/112671>

Demolido o Hoffman Auto Showroom de Frank Lloyd Wright | ArchDaily Brasil


Demolido o Hoffman Auto Showroom de Frank Lloyd Wright

No final de março, uma das poucas obras de Frank Lloyd Wright em Nova Iorque foi discretamente demolida na Park Avenue 430. Este discreto espaço comercial abrigou o Hoffman Auto Showroom durante cinco décadas e, assim que foi considerada como obra a ser preservada pela Comissão de Preservação da Paisagem, os proprietários do edifício iniciaram sua demolição. Para muitas pessoas, este ato pode ser visto como ganância corporativa ou “vandalismo corporativo”, porém, a designação de patrimônio a ser preservado para espaços internos é aplicada apenas a espaços públicos, segundo as leis de preservação de Nova Iorque.
Mas este espaço já foi algo além de uma simples propriedade privada? E, desconsiderando-se que fora projetado por um dos arquitetos mais famosos da história, o projeto tinha algum “significado histórico, arquitetônico ou cultural especial”?
Mais na continuação

O Hoffman Auto Showroom fora projetado e construído na metade da década de 50 pelo importador da marca Mercedes-Benz, Maximilian Hoffman. O projeto original, com aproximadamente 325 m², apresentava uma plataforma giratória em seu centro e uma uma rampa sinuosa que servia como espaço de exposição. A rampa era um reminiscente do Guggenheim de Nova Iorque, que estava sendo projetado e construído simultaneamente. Apesar do espaço ser “essencialmente  Frank Lloyd Wright”, Ada Louise Huxtable criticou o projeto em um livro de 1966, em que escreve “A rampa espiral…que era um elemento tão belo do Guggenheim, é empregada aqui, embora muito menos efetivamente, em parte devido ao forro baixo, e em parte porque o movimento de virada, apertado e abrupto, remete muito claramente aos estacionamentos verticais de muitos pavimentos.” (Crain’s New York)
Se a Comissão de Preservação da Paisagem (LCP, sigla em inglês) designasse o showroom de Wright como um marco da paisagem, ela teria preservado um espaço que já fora muitas vezes alterado do projeto original. Em 1982, a obra passou por algumas renovações que incorporaram espelhos no forro e a estrela de três pontas da Mercedes. Duas décadas mais tarde, a sala de exposições foi expandida e completamente renovada. No estado em que se apresentava quando foi demolido, é incerto quanto do showroom estava ainda em condições originais para garantir sua preservação. Evidentemente, o processo teria levado em consideração estas condições antes de tomar sua decisão final, e, após demolida a obra, a comunidade de arquitetos lamenta a oportunidade perdida.
Via Crain’s New YorkSalon.comHyperAllergic.com 
Citar: Baratto , Romullo . "Demolido o Hoffman Auto Showroom de Frank Lloyd Wright" 08 May 2013. ArchDaily. Accessed 09 May 2013. <http://www.archdaily.com.br/112386>

Clássicos da Arquitetura: Residência Milam / Paul Rudolph | ArchDaily Brasil


Clássicos da Arquitetura: Residência Milam / Paul Rudolph

Retângulos e quadrados saltam da fachada principal. Independentes da estrutura interna, às vezes emolduram e protegem grandes panos de vidro, outras, enquadram secções de espaços, outros volumes em conjunto com o entorno.
© Casacara
Os quadros em concreto aparente combinam-se com as lâminas de vidro, a alvenaria em blocos de concreto e a natureza ao redor. Na fachada oposta, um plano puro é quebrado por dois quadros de concreto que fogem do alinhamento superior, e por linhas horizontais e verticais, numa conformação mais simétrica. Os quadros marcam aberturas e acessos.

Nas fachadas laterais, um plano simples e puro é configurado entre os volumes proeminentes das fachadas perpendiculares. Uma escada exterior que leva ao primeiro andar marca o plano norte. A variedade de espaços verticais e horizontais são diferencias por quadros, paredes e pisos que se estendem no plano da fachada para criar os diversos volumes.

No interior, a mesma variação de planos. Com uma variedade de níveis e alturas, diferentes espaços são criados e demarcados. O térreo é projetado ao redor de uma sala de estar central de pé-direito duplo, alocada dois degraus a baixo da sala de jantar de um lado e de outro uma área de estudos, degraus estes extensos e que funcionam como assentos. Com o desnível da sala principal, a sala de jantar de frente para um grande pano de vidro tem vista para o mar.

No primeiro andar, o programa é configurado ao redor do espaço central, conformado pelo vazio da sala central e um terraço. As aberturas marcadas nas fachadas principais recortam e ultrapassam os limites dos diferentes espaços do segundo andar.
© Ouno Design

Ficha técnica:

  • Arquitetos: Paul Rudolph
  • Ano: 1961
  • Endereço: Jacksonville, FL, USA Jacksonville Estados Unidos
  • Tipo de projeto: Residencial
  • Status: Construído
  • Materialidade: Concreto
  • Estrutura: Concreto
  • Implantação no terreno: Isolado

Localização aproximada

Clássicos da Arquitetura: Residência Milam / Paul Rudolph

Jacksonville, FL, USA, Jacksonville, Estados Unidos
Localização aproximada, pode indicar cidade/país e não necessariamente o endereço exato.
Citar: Fracalossi , Igor . "Clássicos da Arquitetura: Residência Milam / Paul Rudolph" 08 May 2013. ArchDaily. Accessed 09 May 2013. <http://www.archdaily.com.br/111033>

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro: Restauro do ícone da arquitetura moderna carioca volta e meia vira notícia sem, porém, avançar ou retroceder - ARCOweb

Palácio Gustavo Capanema, Rio de Janeiro

Restauro do ícone da arquitetura moderna carioca volta e meia vira notícia sem, porém, avançar ou retroceder




Esboço de Le Corbusier para o edifício do Ministério da Educação e Saúde: por intervenção do ministro Gustavo Capanema, projeto substituiu ganhador de concurso
Esboço de Le Corbusier para o edifício do Ministério da Educação e Saúde: por intervenção do ministro Gustavo Capanema, projeto substituiu ganhador de concurso
Proposta quer preservar memória do modernismo no Palácio Capanema
Notícia enguiçada é o nome que o cronista Tutty Vasques, do jornal O Estado de S. Paulo, dá àqueles temas que, por um motivo ou outro, volta e meia retornam à pauta das publicações sem avançar ou retroceder. Na arquitetura, um forte candidato a essa categoria seria o restauro e a possível ocupação com novas funções do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, conjunto que é considerado um marco da arquitetura moderna brasileira.
Um dos mais recentes retornos do edifício à mídia deu-se no final de novembro, quando a ministra da Cultura, Marta Suplicy, combinou com um grupo de deputados federais do Rio de Janeiro a apresentação de emenda legislativa ao Orçamento federal no valor de 50 milhões de reais, destinados à restauração do prédio, projetado nos anos 1930 por Affonso Reidy, Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Jorge Moreira, Ernani Vasconcelos e Carlos Leão, com a participação de Le Corbusier.
O acordo foi selado quando Marta esteve no Capanema para conhecer seu acervo, verificar suas condições e as necessidades de restauro. Para não fugir à regra, a ministra também conheceu a proposta (apresentada pelo arquiteto Lauro Cavalcanti, diretor do Paço Imperial) alinhavada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para que, após a recuperação, fosse dada ocupação a uma parte da histórica edificação.
O Iphan pretende que os andares inferiores do prédio projetado originalmente para receber o Ministério da Educação e Saúde sejam abertos ao público e tenham uso cultural, com atividades que preservarão a memória dos grandes nomes do modernismo brasileiro na música, teatro, poesia, educação e antropologia. No pavimento mais alto haveria um restaurante.
Uma das novas propostas para o edifício é abrir andares inferiores ao público e preservar a memória de grandes nomes do modernismo brasileiro
Uma das novas propostas para o edifício é abrir andares inferiores ao público e preservar a memória de grandes nomes do modernismo brasileiro
Um dos primeiros registros do Palácio Capanema em PROJETO DESIGN - e não se tratava de restauro - deu-se na edição 73, de março de 1985. A propósito do lançamento do livro Tempos de Capanema, da Editora Paz e Terra/Edusp, Hugo Segawa resgatava as circunstâncias que levaram à construção do prédio, depois de cancelado o concurso para a sede do MES: Arquimedes Memória venceu a competição, recebeu o prêmio, mas, por decisão do então ministro, que dá nome ao prédio, seu projeto ficou apenas na memória.

O Capanema voltou às páginas da revista (edição 338, abril de 2008) quando o senador Paulo Duque (PMDB/RJ) defendeu a doação do prédio para o governo do Rio de Janeiro. Retornou em julho de 2008 (edição 341) para dar conhecimento aos leitores de que ele sediaria um centro de estudos do patrimônio, e novamente em abril do ano passado (edição 386) para informar que o conjunto seria revitalizado. É ou não um caso de notícia enguiçada?


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 392 Outubro de 2012

Nicolai Ouroussoff e Daniel Libeskind: O crítico de arquitetura do New York Times junta-se ao famoso arquiteto norte-americano nesta entrevista que analisa a importância da obra de Oscar Niemeyer - ARCOweb

Nicolai Ouroussoff e Daniel Libeskind

O crítico de arquitetura do New York Times junta-se ao famoso arquiteto norte-americano nesta entrevista que analisa a importância da obra de Oscar Niemeyer

Oscar Niemeyer e Daniel Libeskind
Oscar Niemeyer e Daniel Libeskind
Foi por falta de sorte, acredita Nicolai Ouroussoff - crítico de arquitetura do New York Times até recentemente, quando a direção do diário cortou a seção da sua grade -, que ele não conheceu Oscar Niemeyer pessoalmente. De passagem pelo Brasil para visitar os edifícios de Brasília e outras obras que deverão figurar no livro que está elaborando (um compêndio sobre arquitetura, cultura e política desde 1900), Ouroussoff alinhavou um encontro, que, no entanto, não chegou a se concretizar por problemas de saúde de Niemeyer.

Nesta entrevista a PROJETO DESIGN, Ouroussoff discute a obra do arquiteto recém-falecido: como o brasileiro extrapolou o mundo da arquitetura e como sua produção está sendo revisitada por uma nova geração de profissionais a fim de “encontrar características que talvez tenham sido esquecidas e usá-las como uma maneira de fazer avançar a arquitetura”.

Já para o arquiteto polonês naturalizado norte-americano Daniel Libeskind, a sorte foi outra. Em sua estada no Brasil em 2009, quando apresentava o projeto que concebeu para o concurso da sede do MIS/RJ, Libeskind esteve com Niemeyer na cobertura de frente para a praia de Copacabana, no quartel-general do prestigiado carioca.

Conhecido mundialmente depois de desenhar o Museu Judaico de Berlim, inaugurado em 2001, e, mais recentemente, por ser o responsável pelo plano diretor do Marco Zero, estabelecendo, entre outros, o local e a altura do edifício que vai substituir as Torres Gêmeas, em Nova York, Libeskind rememora nesta entrevista a emoção daquele encontro e especula sobre o novo fôlego que deverá tomar a obra do brasileiro, não apenas por sua excelência, mas também por simbolizar a luta pela liberdade.

Ambas as entrevistas foram realizadas por Camila Viegas-Lee, arquiteta e jornalista brasileira que reside em Nova York há 12 anos, estando ela e Ouroussoff na cidade que abrigou a exposição que despertou o interesse mundial pela obra de Niemeyer (a Brazil Builds, realizada em 1943 no Museu de Arte Moderna de Nova York) e Libeskind no outro lado do globo: na China.
A morte de Oscar Niemeyer foi coberta pelos jornais mais importantes do mundo. É interessante para nós, brasileiros, saber o que o tornou tão conhecido, dentro e fora do mundo da arquitetura mundial. A que se deve isso? O que é tão particular na trajetória de Niemeyer?
Nicolai Ouroussoff - A obra de Niemeyer se insere num tema muito antigo da história da arquitetura: o da relação entre o masculino e o feminino, que remete ao Partenon. O tema do mundo racional da linha reta versus o mundo emocional da linha curva, a qual ele, de certa forma, reintroduziu na arquitetura. Ele falava na “guerra contra a linha reta”.

Niemeyer ganhou notoriedade nos anos 1940 com o projeto de Belo Horizonte e os edifícios que fez para uma área exclusiva nas montanhas, com um cassino, uma igreja, um salão de dança, entre outros, e você começa a ver a linguagem tão maravilhosa que conhecemos, a relação entre o edifício, a paisagem e a natureza, as curvas das montanhas refletidas nas curvas das paredes de concreto.

Além disso, obviamente, ele ficou conhecido por reintroduzir sensualidade, sentimento, emoção, e até mesmo a ideia de sexo, na arquitetura. E quando se sai da [segunda grande] guerra e se entra em contato com o modernismo tardio, quando se pensa numa arquitetura muito racional, da repetição sem fim de uma malha, de apartamentos‑satélite, um completamente idêntico ao outro, a obra de Niemeyer se destaca por recuperar uma sensação de movimento que estava faltando.

É preciso lembrar que o modernismo foi para o Brasil via Europa e Estados Unidos, mas, através de Niemeyer, o Brasil devolveu um tipo totalmente diferente de modernismo. Até mesmo o trabalho de Le Corbusier sofreu um impacto depois da sua primeira visita ao Brasil na década de 1930, quando conheceu Niemeyer. Os dois mantiveram um diálogo, em vez de o velho mestre ensinando um jovem estudante.
Como a obra de Le Corbusier mudou depois de conhecer Niemeyer? O brasileiro suavizou o francês?
NO - Sim. Niemeyer de certa forma suavizou Le Corbusier. E Le Corbusier é, obviamente, a grande figura do século 20. Às vezes, na relação entre os dois, pode-se encontrar uma maneira de reunir o racional - que é uma parte grande do modernismo - e a sensualidade. Isso foi algo que Niemeyer fez lindamente. E influenciou muitas construções nos Estados Unidos.

Se você olhar o que aconteceu em Los Angeles, para onde muitas pessoas migraram depois da guerra, por exemplo, diversos projetos saíram da obra de Niemeyer. Além, é claro, da famosa exposição no Museu de Arte Moderna, em 1943, que introduziu Niemeyer e a arquitetura brasileira nos Estados Unidos. Ela foi observada de perto por arquitetos americanos.

O modernismo continuou ininterrupto através dos anos 1940. A arquitetura parou nos Estados Unidos e na Europa e só foi retomar ritmo depois da guerra. Então, na busca por novas ideias, novas influências, como forma de fazer avançar a arquitetura, encontraram Niemeyer. Essa é outra razão pela qual ele teve tanta influência. Depois, Niemeyer foi morar na Europa por um tempo e aumentou ainda mais sua influência.
Em retrospecto, porém, a obra de Niemeyer nem sempre foi aplaudida. Houve um período em que ela foi severamente criticada. O senhor vê alguma retomada do seu discurso de agora em diante?
NO - Houve um período em que o modernismo caiu em desgraça, nos anos 1970 e 1980, e toda a geração de grandes modernistas - Oscar Niemeyer, Le Corbusier - foi rejeitada pelos mais jovens, que a viam como rígida, confinada e inflexível demais para lidar com todos os elementos da vida. Tratou-se de um julgamento severo e um tanto injusto.

Depois disso, uma nova geração de arquitetos - estou pensando especificamente em gente como Zaha Hadid - que tem revisitado esse modernismo, começou a encontrar características que talvez tenham sido esquecidas e usá-las como uma maneira de impulsionar a arquitetura.

Niemeyer teve dois grandes períodos de influência: a época em que estava no auge da carreira, influenciando sua própria geração, e mais recentemente, quando uma grupo mais jovem redescobriu Brasília, por exemplo. Esse grupo tem pensado o modernismo de forma diferente. Não como uma espécie de plano extremo, mas como uma obra muito bonita que pode ser resgatada e levar a arquitetura em uma direção mais vibrante, interessante.
“Um dos maiores problemas é o equilíbrio entre o mundo racional e o do sentimento. Niemeyer inclinou as coisas um pouco mais para o lado do mundo do sentimento. Fazer isso no momento em que ele fez foi muito ousado.” (N. Ouroussoff)
Como o edifício das Nações Unidas, em Nova York, se insere na obra de Niemeyer?
NO - A construção da ONU fez parte de um processo político intenso e muitos arquitetos estavam envolvidos. O edifício de Niemeyer foi importante para apresentar ao resto do mundo não só o arquiteto, como também essa ideia de internacionalismo esclarecido. Le Corbusier igualmente trabalhou no projeto.

Mas acho que Belo Horizonte foi um projeto mais notável, muito importante na história da arquitetura, além de muitos dos edifícios em Brasília. Eles são monumentos de arquitetura, um após o outro. A catedral, por exemplo, é admirável. Há um elemento de procissão em Niemeyer que acho muito importante. A maneira como você se move ao longo de uma parede curva, desce e sobe de novo para a luz. Isso é algo que também se encontrará na obra de Le Corbusier.

A relação entre a imagem da curva como uma espécie de objeto sensual e a maneira como seu corpo se move através do espaço mostra que não se trata apenas da imagem, mas da relação do corpo com o espaço. E quando você começa a entender o que faz a arquitetura dele tão poderosa, acessa um domínio essencial.
Para poder se divertir com esse “elemento de procissão” facilita ter espaço para projetar uma cidade inteira?
NO - Le Corbusier também teve essa chance com Chandigarh, na Índia, cuja escala é semelhante. Acho que Brasília teve mais impacto não apenas por ter sido a primeira, mas também porque foi construída num momento em que o Brasil estava se tornando o foco cultural do mundo. Brasília foi um choque. O que ele criou lá fez com que as pessoas repensassem a maneira como lidavam com a arquitetura. Nenhum outro projeto teve esse impacto. Ela se tornou um símbolo de ascensão cultural, como Pelé no futebol. Mas também, como disse antes sobre Niemeyer, a sua cultura amaciou e humanizou a arquitetura que estava sofrendo depois do pós-guerra.
O senhor visitou o Brasil para ver obras de perto e fazer pesquisa para o seu livro. Conseguiu conhecer Niemeyer pessoalmente?
NO - Eu fui ao Brasil para visitar obras arquitetônicas - são tantas! - e conhecê- -lo, mas, infelizmente, no dia programado ele não estava bem. Acabamos não nos conhecendo, o que é uma grande tristeza para mim. Mas seu trabalho está vivo e as pessoas que não o conheceram podem entendê-lo através de sua obra.
Por onde o senhor recomenda começarem? Qual é o maior legado de Niemeyer?
NO - É difícil dizer. Há tantas coisas diferentes. Mas um dos maiores problemas, não apenas na arquitetura, é o equilíbrio entre o mundo racional e o mundo da mente versus o mundo do corpo e o mundo do sentimento. Niemeyer inclinou Nieas coisas um pouco mais para o lado do mundo do sentimento, longe do mundo da mente e do racional. Fazer isso no momento em que ele fez foi muito ousado e criou uma espécie de impacto civilizado que vai além de seus edifícios.
Alguns especialistas, como Paulo Bruna, professor de arquitetura da FAU/USP, acreditam que Niemeyer teve um período brilhante entre meados dos anos 1940 e o início da construção de Brasília, mas que obras mais recentes não acrescentam nada de novo a sua obra. Como o senhor vê essa produção mais recente?
NO - Visitei o museu de Niterói, por exemplo, e é notável, também porque foi concebido no final de sua vida. É um dos lugares mais bonitos do mundo, em um penhasco com vista para o mar. Não posso imaginar paisagem mais bonita. O edifício, de certa forma, não é tão refinado quanto alguns de seus trabalhos anteriores, em termos de uso de materiais como o concreto, por exemplo.

Mas, como gesto, a ideia de erguer uma rampa do chão e chegar a um espaço circular para ser elevado ainda mais, quase flutuando, é simplesmente lindo. Poucos arquitetos conseguiram imprimir uma marca no mundo. Ainda mais por 70 anos! Nem Le Corbusier teve uma trajetória tão longa.
“O trabalho de Niemeyer não é apenas um mundo de curvas, essa é uma definição tardia. Ele era um homem de liberdade, e sua arquitetura representa isso. Sua genialidade foi ter uma arquitetura de formas, e não de funções.” (D. Libeskind)
Quando e onde o senhor recebeu a notícia da morte de Oscar Niemeyer?
Daniel Libeskind Eu havia acabado de chegar a Hong Kong para uma conferência sobre design e vi a notícia na televisão do aeroporto. É claro que fiquei muito triste. Nina [arquiteta e esposa de Libeskind] e eu o visitamos no Rio há cerca de três anos. Ele me convidou para ir a seu estúdio na praia e tivemos uma conversa muito boa. Perguntei-lhe várias coisas, discutimos arquitetura e a vida. Ele produziu uma obra fantástica, é realmente um poeta.
Qual foi a primeira imagem que lhe ocorreu? Foi aquele encontro no Rio?
DL - Não. A primeira coisa que me veio à mente foi que ele era um homem que realmente acreditava na arquitetura como arte. Talvez esta seja uma noção em extinção, porque muitas pessoas hoje concebem a arquitetura como uma espécie de ciência extremamente ligada à prática da engenharia e à solução de problemas. Niemeyer foi um poeta, um artista que acreditava que beleza é a principal função da arquitetura, e isso significa que ele acreditava na criação da utopia. Brasília é, de certa maneira, uma experiência de utopia.
De que maneira o “mundo das curvas”, como Niemeyer descrevia sua obra, será visto a partir de agora?
DL - Acho que o trabalho de Niemeyer não é apenas um mundo de curvas, essa é uma espécie de definição tardia. Ele era um homem de liberdade, e sua arquitetura representa isso, alguém que é livre. Ele não construiu mais do mesmo, repetindo uma fórmula. Ele foi capaz de fazer coisas novas e sua genialidade foi ter uma arquitetura de formas e não uma arquitetura de funções, seja no uso de curvas, planos ou invenções. É claro que [a arquitetura] deve existir para um bem social, mas, em última análise, é uma arte específica e é por isso que ele era um arquiteto brilhante.
Como Niemeyer influenciou arquitetos contemporâneos e o seu trabalho, em particular?
DL - Eu posso dizer que ele me influenciou muito no início por causa de um projeto na faculdade de arquitetura. Tive que analisar Brasília, estudar todos os desenhos, construir meus próprios modelos e entender como a cidade foi criada.

Então, entrei em contato com Niemeyer já no início de meus estudos e, claro, sua influência foi grande no sentido de que ele não era um tecnocrata, que apenas projetou edifícios, mas alguém que mergulhou em ideias que têm ramificações sociais, políticas e estéticas. Dessa forma, ele não era um homem que construiu somente edifícios, mas arte e o que é moderno na arte.

Niemeyer não era nostálgico, não era como muitas pessoas que estão ligadas em ironia ou numa ideia irônica do modernismo. Ele acreditava verdadeiramente que o modernismo poderia trazer algo novo. E eu acho que a diferença é que ele não era apenas um estilista, ele teve um grande estilo, mas [sua obra] não é só sobre estilo. O trabalho dele mudou ao longo dos anos, ele avançou em novas direções.
Qual de suas obras teve maior impacto sobre o seu trabalho? O que foi mais importante para o senhor?
DL - Ele me marcou por causa de sua ousadia e pelo fato de reinventar formas antigas de maneira arrojada. Desde o início de sua carreira, foi capaz de entender o que estava acontecendo em arquitetura e desenho urbano, e fazer perguntas sobre a forma através de meios completamente novos para a criação de espaços sociais, auditórios, edifícios comerciais. Niemeyer realmente teve impacto sobre meu trabalho, assim como Le Corbusier e Mies van der Rohe, os gigantes da arquitetura moderna.
O senhor poderia citar um desses trabalhos e explicar por quê?
DL - Brasília, certamente, com sua ideia de criar uma cidade do zero, completamente nova, com meios modernos, e estabelecer uma espécie de sistema de formas que mostra um horizonte aberto e dá às pessoas a liberdade de avançar para o futuro. Essa é talvez sua maior obra.

Conheço muitos de seus edifícios em São Paulo, Rio de Janeiro, Paris e até mesmo na Itália, mas Brasília se destaca porque Niemeyer colocou a inteligência brasileira no mapa, porque acreditava em política progressista, mas não era um ideólogo.

Ele não era um homem preso ao passado, e sim ágil, jovem na maneira como pensava sobre as coisas, e muito direto com seus projetos. Na verdade, quando se olha para eles, alguns são chocantes, não porque sejam simples, mas pelo que propuseram, seja para uma sala de concertos, para uma edificação industrial ou para um grande edifício.

Qualquer bom arquiteto contemporâneo deve ter sido influenciado por Niemeyer, por causa de suas disposições divertidas. Muitos arquitetos têm sombras ao redor, mas Niemeyer não.
Nicolai Ouroussoff, crítico de arquitetura do New York Times até o ano passado, me disse que durante as décadas de 1970/80 o modernismo e a obra de Niemeyer eram vistos como rígidos e confinados demais. Recentemente, porém, um novo grupo de arquitetos tem revisitado a obra e reverenciado o brasileiro.
DL - É verdade, porque críticos de arquitetura são apenas promotores da moda. Isso é o que eles fazem na atualidade, simplesmente promovem qualquer coisa que esteja na moda. E pessoas como Niemeyer trabalharam com um horizonte amplo. Niemeyer não tinha interesse no que estava na moda, mas em ideias, na poesia. E isso não é algo que desapareça, sempre vai interessar novas gerações. Então talvez Ouroussoff se surpreenda, mas para os arquitetos Niemeyer permanece como um profissional que mergulhou em grandes formas.
Niemeyer costumava dizer que “é importante que o arquiteto pense não só na arquitetura, mas em como ela pode resolver os problemas do mundo. O papel do arquiteto é lutar por um mundo melhor, onde se pode produzir uma arquitetura que sirva a todos e não apenas a um grupo de privilegiados”.
DL - Todo mundo que se diz arquiteto deveria compartilhar seu ponto de vista, porque a arquitetura certamente não é apenas um passatempo privado, é para o público em geral, e tem que ser pensada como uma arte social, o que não significa que deve ser previsível. Niemeyer frequentemente chocava as pessoas.

O projeto de Brasília, por exemplo, chocou pelo formato, pela disposição e pelo simbolismo dos edifícios. A arquitetura, especialmente a consciente, é ousada e promove o futuro em vez de repetir o que a sociedade já conhece. Essa é uma definição muito boa de Niemeyer. Ele trouxe novos horizontes para o design.
“Sua importância vai aumentar porque Niemeyer é um grande arquiteto e porque é sinônimo de nascimento do Brasil como um país com nova arquitetura. Além disso, deve crescer por causa de sua luta pela liberdade.” (D. Libeskind)
O senhor acredita que Niemeyer era capaz de descobrir o que as pessoas queriam antes que elas próprias o fizessem?
DL - Certamente. Mas acho que isso tem a ver com o fato de ele ser um artista. Seus projetos não saíram de um computador, não saíram de uma estatística do que ocorreu no passado. Eles saíram de seus desenhos, de visões reais de arquitetura traçadas a lápis. Grandes artistas, completos, produzem arte a partir de desenhos, e não de jornais, revistas ou manuais. E os desenhos de Niemeyer são muito bonitos. Ele realmente criou muitas obras com esse coração artístico.
Como Niemeyer será avaliado doravante?
DL - A importância de Oscar Niemeyer vai aumentar daqui para a frente por dois motivos: primeiro, porque é um grande arquiteto; segundo, porque ele é sinônimo de nascimento do Brasil como um país com nova arquitetura. Além disso, ela deve crescer por causa de sua luta pela liberdade. Ele rejeitou a ditadura militar, envolveu-se em política e foi exilado. Os arquitetos devem lutar pela liberdade e não trabalhar apenas para os poderes locais estabelecidos. Esse é um grande legado para o mundo democrático.
Por Camila Viegas-Lee
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 395 Janeiro de 2013

IAB Campinas promove o seminário “Cidades Compactas” | ArchDaily Brasil


IAB Campinas promove o seminário “Cidades Compactas”

O IAB-SP, núcleo Campinas, promove nesta terça-feira, dia 7 de maio, às 14h, o seminário “Cidades compactas: Habitação, Mobilidade e Sustentabilidade”, com o objetivo de ampliar a discussão do tema para a 5a. Conferência das Cidades, que será realizada em Brasília entre os dias 20 e 24 de novembro deste ano.  A abertura será feita pelo prefeito de Campinas, Jonas Donizetti, e pelo secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Ulysses Semeghini. O presidente do IAB Nacional, Sérgio Magalhães, fará palestra sobre o tema, seguida por um debate entre os arquitetos e diretores do IAB Campinas, Maxim Bucaretchi (PUCC) e Luis Antonio Jorge (USP), além do arquiteto Fuad Cury (Secovi).

O evento será realizado no Plenário da Câmara Municipal de Campinas, na Avenida da Saudade, 1004, Ponte Preta, Campinas.
Citar: Baratto , Romullo . "IAB Campinas promove o seminário “Cidades Compactas”" 07 May 2013. ArchDaily. Accessed 08 May 2013. <http://www.archdaily.com.br/112354>