terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A Central do Brasil nos trilhos - Jornal O Globo

A Central do Brasil nos trilhos

  • Projeto de modernização da estação inclui construção de shopping, hotel e estacionamento
Ediane Merola (Email · Facebook · Twitter)
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Modernidade. A estação ferroviária projetada pela Supervia: a concessionária prevê a instalação de uma cobertura de vidro
Foto: Divulgação/Supervia
Modernidade. A estação ferroviária projetada pela Supervia: a concessionária prevê a instalação de uma cobertura de vidro Divulgação/Supervia
RIO - Construída há 155 anos, a Central do Brasil passou por uma ampla reforma na década de 30, foi reinaugurada em 1943 e, de carona na reurbanização do Centro, a imponente estação ferroviária está prestes a receber novamente uma grande obra. O objetivo é restaurar e modernizar o lugar pelo qual transitam, diariamente, cerca de 600 mil pessoas. A Supervia, que tem a concessão da área, planeja erguer um centro comercial sobre as plataformas dos trens, fazer um estacionamento para 1.400 vagas e, ainda, um hotel de dez andares, com 220 quartos. Trata-se de uma proposta ambiciosa, que depende de um parecer favorável do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Todo o conjunto arquitetônico foi tombado em 2008, mas a empresa acredita num entendimento com o órgão. Tanto que a primeira etapa dos trabalhos já está em fase de conclusão e, se os planos forem confirmados, em agosto serão levantados os primeiros pilares do futuro shopping, que abrigará, entre outros estabelecimentos, lojas que hoje já ocupam a Central, como tabacarias, lanchonetes e até um estande de uma companhia aérea.


A previsão é de que a reforma completa da Central do Brasil termine em 2016. Quem passa pela estação atualmente ainda se depara com um ambiente desordenado, mas que já recebeu melhorias de conservação, como reforço na iluminação e limpeza das áreas revestidas com mármore e granito. Na cabeceira da plataforma 1, o ritmo é intenso na construção de uma nova cabine de sinalização — hoje, está instalada na plataforma 8. A mudança de lugar é necessária para que, futuramente, seja erguido o centro comercial.
— Vamos cobrir todas as plataformas. E, seguindo uma orientação do Iphan, estamos projetando uma área com cobertura de vidro, para que os passageiros continuem vendo o relógio da Central — diz o presidente da Supervia, Carlos José Cunha, acrescentando que o conjunto arquitetônico será restaurado. — Queremos reconstituir a iluminação natural da gare, que tem tijolos de vidro no teto. Com o tempo, foram cobertos. Recuperaremos gravuras que estão sob a pintura atual.
busca de parceiros para investimentos
Para botar a Central do Brasil nos trilhos, a Supervia prevê investimentos em torno de R$ 350 milhões. Parte dos recursos poderá sair de parceiros da iniciativa privada. A concessionária já apresentou seu projeto ao mercado e, segundo Cunha, há interessados. Professor titular da UFRJ e representante do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) no Conselho de Planejamento Urbano da prefeitura, Flavio Ferreira teme que a proposta seja apenas especulação imobiliária. Para ele, a região não precisa de um empreendimento desse porte. O arquiteto chama a atenção para o prazo das obras, que terminariam às vésperas das Olimpíadas.
— Parece uma aventura. Mesmo num escritório grande de arquitetura, acho difícil tudo ficar pronto até 2016. E os passageiros? Vão sofrer com os trabalhos — alerta Ferreira.
O projeto da nova estação é da Raf Arquitetura e, segundo a Supervia, as principais intervenções serão feitas em horários de pouco movimento. Uma das primeiras medidas será ampliar o saguão da gare, que avançará 25 metros em direção às plataformas, com deslocamento das roletas. Segundo Cunha, as modificações seguirão um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que será firmado com o Iphan.
— O TAC precisa de ajustes, mas está na fase final. Hoje não tenho preocupação quanto à liberação do projeto — afirma o presidente da concessionária.
Em uma nota, a superintendência do Iphan no Rio informou que se encontram sob análise do instituto dois projetos para a Central, “um referente a uma cobertura metálica para a plataforma e um grande projeto para ampliação do monumento, que ainda estão tramitando e não há parecer final”.
Professor da PUC-Rio, o arquiteto e urbanista Manuel Fiaschi acha o projeto interessante e o considera em sintonia com as estações ferroviárias de várias cidades do mundo.
— Terá um prédio novo, mas que parecerá irmão do já existente. Será de vidro, mas com o mesmo alinhamento, e aproveitará a área dos trilhos. Além disso, haverá um shopping totalmente integrado ao sistema de transporte público da cidade, ninguém precisará de carro para ir até lá — destaca Fiaschi.
No vaivém da Central, alguns passageiros embarcam na proposta de modernidade e torcem por melhorias.
— Ando de trem desde os 12 anos. O serviço melhorou, mas ainda há muito a ser feito. Torço para que o shopping dê certo e que parte do lucro seja aplicada na rede — diz Adilson Machado.
Trens lotados e protestos de passageiros — que, várias vezes, terminaram em quebra-quebra de veículos e estações, devido a maus-tratos por parte de seguranças e atrasos — são situações que fazem parte da história recente da Supervia. A empresa afirma que, além de planejar a grande reforma da Central do Brasil, está investindo na modernização do sistema. Até meados de 2014 deverão chegar 80 novos trens, que substituirão 50 composições sucateadas, ainda em uso.
— Queria solucionar os problemas de um dia para o outro, mas todas as medidas são de longo prazo — argumenta o presidente da concessionária.
Quando fala sobre a reforma da gare, o tom de Cunha é mais otimista. Ele aposta que a estação será mais uma atração turística da cidade:
— O turista que vier ao Rio para acompanhar as Olimpíadas de 2016 terá de reservar um dia para conhecer a Central do Brasil. Quem sabe até poderá se hospedar no novo hotel.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/a-central-do-brasil-nos-trilhos-7414357#ixzz2JNqDv7L4
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Folha de S.Paulo - Ilustrada - Após fracasso, Bienal de Arquitetura muda gestão e celebra 40 anos com projeto de se espalhar por SP - 24/01/2013

24/01/2013 - 03h06

Após fracasso, Bienal de Arquitetura muda gestão e celebra 40 anos com projeto de se espalhar por SP

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SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO
Em 1969, Lina Bo Bardi usou os destroços da demolição do Bexiga, bairro paulistano então rasgado por causa da construção do Minhocão, para montar o cenário da peça "Na Selva das Cidades", no Teatro Oficina.
Toda noite, os atores destruíam um ringue de boxe feito de escombros --e reconstruíam tudo para repetir a cena de fúria no dia seguinte.
Da mesma forma que a arquiteta já se apoderava da cidade para montar um espetáculo, a décima Bienal de Arquitetura de São Paulo --que neste ano acontece em outubro e celebra os 40 anos da mostra-- deixa o parque Ibirapuera, que foi sua sede até hoje, para tomar toda a cidade, incluindo o Teatro Oficina, desenhado por Bardi.

Divulgação
Praça das Artes, no centro de São Paulo, tem projeto exposto na Bienal
Praça das Artes, no centro de São Paulo, tem projeto exposto na Bienal
Em vez de uma mostra concentrada num único ponto, com projetos arquitetônicos isolados, serão vários recortes, quase todos dedicados a projetos de urbanismo, ocupando uma rede de espaços perto de estações do metrô.
"É a retomada da cidade e sua geografia", diz José Armênio de Brito Cruz, diretor do braço paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), que organiza a Bienal.
"Não será uma exposição de objetos bonitinhos, e sim uma mostra de caráter político, uma pauta que o Brasil deve enfrentar neste momento. Queremos reconstruir a face pública da arquitetura."
Reconstrução também resume o momento do IAB e de sua Bienal. Depois do fracasso da última edição, que foi alvo de críticas e protestos de arquitetos e que teve um dos menores públicos de sua história, o IAB trocou seu corpo diretivo e estabeleceu parcerias com as grandes instituições culturais paulistanas.
Esses endereços, entre eles o Centro Cultural São Paulo, o Masp, o Museu da Casa Brasileira e até uma plataforma desativada do metrô construída sob a estação Pedro 2º, deverão abrigar a Bienal.
Editoria de Arte/Folhapress
Ficou de fora, no entanto, seu endereço histórico, o pavilhão da Bienal no parque Ibirapuera, que na época da mostra de arquitetura estará ocupado por outra exposição.
Brito Cruz garante que o racha entre IAB e Fundação Bienal, motivado por dívidas dos arquitetos com a instituição de arte, já acabou. Mas a Folha apurou que a dívida de R$ 164 mil não foi saldada.
MATURIDADE E AMBIÇÃO
Apesar desta pendência, os planos para a Bienal de Arquitetura seguem a todo vapor. E o orçamento acompanha essa ambição --os R$ 18,8 milhões, que ainda devem ser captados via leis de incentivo, são quase dez vezes o custo da última edição.
"Há a necessidade de fazer uma exposição que dialogue com um público mais amplo", diz Guilherme Wisnik, curador da mostra. "Nesta décima edição, a Bienal já tem maturidade para atingir a escala de toda a metrópole."
Dentro dessa lógica, a ideia de que o público possa entrar e sair da mostra o tempo todo, usando o transporte público, "força uma visão da cidade com outros olhos", nas palavras da cocuradora Ana Luiza Nobre. "Isso dá a experiência da cidade agressiva, violenta e, ao mesmo tempo, fascinante que é São Paulo."
Essa experiência deve ser destrinchada em exemplos notáveis de urbanismo pelo mundo, que estarão reunidos na mostra reservada ao Centro Cultural São Paulo.
Entre eles, a Praça das Artes, projeto do escritório Brasil Arquitetura, estará em destaque como exemplo de obra que "costura vários lotes no coração da cidade".
No Masp, a escala doméstica de projetos residenciais de Vilanova Artigas e Mendes da Rocha fará contraponto ao espaço público problemático das grandes cidades brasileiras. Esses projetos serão comparados a obras de artistas que articularam a ideia de circulação, como Hélio Oiticica e Cildo Meireles.
"São exemplos fundamentais da Bienal", diz Wisnik. "Há a aceitação de que o modelo de cidade americana ou europeia não é mais hegemônico, e São Paulo passou a ser fonte de algumas lições para arquitetos e urbanistas, o que é uma surpresa para nós."

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Bienal de Arquitetura de Veneza 2012 - ARCOWEB

Bienal de Arquitetura de Veneza 2012

Com curadoria de David Chipperfield, "Terreno Comum" foi o tema da megaexposição


A maquete de Kazuyo Sejima e equipe é parte da ação dos arquitetos japoneses pós-tsunami de 2011
A maquete de Kazuyo Sejima e equipe é parte de ação dos arquitetos japoneses pós-tsunami de 2011
Arquitetura em desaceleração
A bandeira de código de barras colorido, com pequena saturação, apresenta os Estados Unidos nesta 13ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza. Cada cor sinaliza um atributo da arquitetura responsável ambiental, social e culturalmente, que o país pretende incentivar no contexto da crise do século 21. Este é o tom dominante em Veneza, uma possível interpretação do tema Terreno Comum, lançado pelo curador da bienal, o inglês David Chipperfield.
O que está em xeque é a produção do edifício isolado, agente do desenvolvimento imobiliário. Valoriza-se, em oposição, a busca por novas frentes de trabalho sintonizadas com as restrições do mundo em crise, em muito derivadas do compartilhamento de saberes dos arquitetos com seus pares, com outros profissionais e com a sociedade em geral.
Tal compreensão rendeu ao Japão e ao coletivo Urban-Think Tank, respectivamente, Leão de Ouro pela melhor representação nacional e melhor mostra da bienal. Álvaro Siza Vieira é o grande homenageado do evento, agraciado com o prêmio máximo pelo conjunto da obra.
Centro comunitário de Rikuzentakata, projeto conjunto de Toyo Ito, Sou Fujimoto, Akihisa Hirata e Kumiko Inui, em construção no Japão
Centro comunitário de Rikuzentakata, projeto conjunto de Toyo Ito, Sou Fujimoto, Akihisa Hirata e Kumiko Inui, em construção no Japão - Foto: Evelise Grunow
Jovens profissionais e coletivos de arquitetura de Atenas têm proposto projetos pontuais, de requalificação do centro degradado da cidade
Jovens profissionais e coletivos de arquitetura de Atenas têm proposto projetos pontuais, de requalificação do centro degradado da cidade - Foto: Evelise Grunow
“Siza foi o meu herói”, respondeu Chipperfield ao questionamento de Hans Ulrich Obrist (leia entrevista nesta edição de PROJETO DESIGN) em Veneza, referindo‑se à integridade criativa do arquiteto português. “Sua artesania e julgamentos sobre o significado da vida permanecem jovens e reflexivos”, arrematou o britânico.
Os holofotes da bienal estão apontados, até 25 de novembro, para a inteligência da arquitetura de contestação do grande circuito internacional de prestígio e poder da profissão.
Contextualizado no cenário de crises - ambiental, financeira, urbana e social -, o que está em voga no evento é o tema da criação colaborativa, em que ações conjuntas e por vezes multidisciplinares são empreendidas por arquitetos em contato com os usuários reais dos seus projetos.
É parte, assim, do voluntarismo do primeiro escalão da arquitetura mundial o manifesto assinado por Toyo Ito, Kengo Kuma, Kazuyo Sejima, Riken Yamamoto e Hiroshi Naito em maio de 2011, em prol da humanização dos assentamentos e moradias temporárias onde residem os cerca de 100 mil desabrigados pelo terremoto/ tsunami que atingiu o Nordeste do Japão em março de 2011.
Os arquitetos japoneses se imbricaram nos locais destruídos e se reuniram com a população local, o que, afinal, desembocou na criação de uma rede de centros de convivência denominados Home-for-All. Ito, um dos mentores do programa e autor do projeto da midiateca de Sendai (inaugurada em 2001 e também atingida pelo terremoto), começou a girar a engrenagem colaborativa através do primeiro centro, inaugurado em outubro de 2011 naquela cidade.
Luis Fernández-Galiano convidou estudantes de arquitetura para expor construções da última década, escassas desde o advento da crise
Luis Fernández-Galiano convidou estudantes de arquitetura para expor construções da última década, escassas desde o advento da crise - Fotos: Francesco Galli/Bienal de Veneza
As contramarchas do projeto da Filarmônica de Hamburgo são o tema da mostra de Herzog & De Meuron
As contramarchas do projeto da Filarmônica de Hamburgo são o tema da mostra de Herzog & De Meuron
Já para outubro de 2012 está previsto o fim da construção de outro centro de convívio, em Rikuzentakata, cuja concepção, liderada a oito mãos por Ito, Sou Fujimoto, Akihisa Hirata e Kumiko Inui, recebeu Leão de Ouro pela melhor participação nacional na bienal.
Também em decorrência de um terremoto/ tsunami que atingiu o Chile um ano antes da tragédia japonesa, o Plano de Reconstrução Sustentável de Constitución, povoado de 50 mil habitantes na costa do Pacífico, está na pauta de Veneza, quase um ano após receber a medalha de prata do Prêmio Holcim 2011 para Construção Sustentável na América Latina.
O Elemental, de Alejandro Aravena, liderou o ágil processo de planejamento - apenas 90 dias, de abril a junho de 2011 -, que contou com uma chamada pública de trabalhos por meio da internet.
Plano de Reconstrução Sustentável de Constitución, no Chile, liderado pelo escritório Elemental
Plano de Reconstrução Sustentável de Constitución, no Chile, liderado pelo escritório Elemental - Imagens: Fundação Holcim
 
Exposição sobre a ocupação de edifício abandonado no centro de Caracas
Exposição sobre a ocupação de edifício abandonado no centro de Caracas
O projeto, em implantação desde janeiro de 2012, é estratégico ao prever um plano de evacuação e desenhar uma área inundável ao longo do povoado, capaz de filtrar o impacto das águas como as que atingiram o local em 2011.
A ele estão associadas edificações que recriam a cidade de antes da catástrofe, como campo de futebol, biblioteca, centro cultural e cívico, desenhadas por uma rede de arquitetos.
Esse tipo de ação emergencial e cooperativa tem sido tema, nos últimos cinco anos, do Prêmio Curry Stone Design, criado nos Estados Unidos por Clifford Curry e Delight Stone, ele arquiteto e ela arqueóloga.
Torre David, do Urban-Think Tank e Justin McGuirk
Torre David, do Urban-Think Tank e Justin McGuirk
Foto: Iwan Baan
As contramarchas do projeto da Filarmônica de Hamburgo são o tema da mostra de Herzog & De Meuron
As contramarchas do projeto da Filarmônica de Hamburgo são o tema da mostra de Herzog & De Meuron
Projeto de Hsieh Ying-Chun, em Taiwan. O arquiteto venceu o Prêmio Curry Stone em 2011
Projeto de Hsieh Ying-Chun, em Taiwan. O arquiteto venceu o Prêmio Curry Stone em 2011 - Foto: Curry Stone
Apresentado em Veneza pela revista italiana Domus, o prêmio de 2012 terá vencedor divulgado apenas em meados de novembro, mas, para se ter ideia da natureza do certame - que tem como conselheiro Cameron Sinclair, o fundador do Architecture for Humanity -, em 2011 recebeu 100 mil dólares pelo primeiro lugar o arquiteto Hsieh Ying- Chun, de Taiwan, que há mais de uma década presta assistência profissional a assentamentos asiáticos devastados por catástrofes naturais na Ásia.
Ying‑Chun assessora os moradores locais na reconstrução de seus lares e comunidade, comprometido com o conforto ambiental e a relação amigável com a natureza.
No rastro de outro tipo de crise, a financeira, uma das cidades mais afetadas pela atual derrocada econômica mundial, Atenas, tem vivenciado a degradação física do território associada a conflitos no espaço público e à abrupta queda do nível de vida da população.
Em Veneza, estão em cartaz trabalhos de extrema vitalidade, imbricados em demandas e potencialidades específicas de trechos pontuais da capital grega, liderados por ativistas, grupos multidisciplinares e jovens arquitetos que buscam formas alternativas de atuação em resposta à escassez da demanda arquitetônica tradicional enfrentada atualmente.
Dentre elas, espera-se para breve a construção de uma praça pública no centro de Atenas, concebida pelos arquitetos da Area Architecture Research Athens para a área residual de interseção de dois grandes condomínios residenciais.
Traçado do projeto Olmos Hidráulico, de ampliação da área agrícola do Peru. Um túnel de 20 quilômetros acaba de atravessar os Andes, e um grupo de arquitetos está pensando a cidade resultante
Traçado do projeto Olmos Hidráulico, de ampliação da área agrícola do Peru. Um túnel de 20 quilômetros acaba de atravessar os Andes, e um grupo de arquitetos está pensando a cidade resultante - Imagem: Olmos Hidraulico
A mostra do OMA, Public Works: Architecture by Civil Servants, assinala o fim da era dos grandes projetos públicos de arquitetura
A mostra do OMA, Public Works: Architecture by Civil Servants, assinala o fim da era dos grandes projetos públicos de arquitetura - Foto: GLC Archives
Desativado em 2008, o Aeroporto Tempelhof, em Berlim, é tema de diversos projetos de reocupação
Desativado em 2008, o Aeroporto Tempelhof, em Berlim, é tema de diversos projetos de reocupação
De natureza similar são os trabalhos apresentados na mostra norte-americana Spontaneous Interventions: Design Actions for the Common Good, organizada pelo Instituto para o Design Urbano com a curadoria de Cathy Lang Ho.
Os 124 projetos comunitários reunidos na exposição são exemplos de intervenções locais empreendidas por arquitetos, artistas e moradores a favor da qualificação dos seus territórios de convívio, que, extrapolando a comparação, têm humor parecido com o parque suspenso de Diller Scofidio + Renfro em Nova York, o High Line.
Há ainda em Veneza trabalhos nos quais os arquitetos atuam como observadores da cidade real, potencializando processos espontâneos de ocupação de áreas ou edificações abandonadas.
Mostra Paisagens de Migração, do Canadá, em que se discutem os fluxos de pessoas num território onde prevalece a população estrangeira
Mostra Paisagens de Migração, do Canadá, em que se discutem os fluxos de pessoas num território onde prevalece a população estrangeira - Foto: Evelise Grunow
A exposição israelente discorre sobre o processo acelerado de transformação - capitalista - do território desde a década de 1970, por influência dos EUA
A exposição israelense discorre sobre o processo acelerado de transformação - capitalista - do território desde a década de 1970, por influência dos EUA - Foto: Florian Holzherr
É o caso do convívio de um ano e meio do coletivo Urban-Think Tank e de Justin McGuirk com o cotidiano da Torre David, um edifício inacabado do centro de Caracas, na Venezuela, exemplo de comunidade informal vertical.
Espécie de São Vito venezuelano, a torre foi sendo ativada pela população local através da implantação de um polo de restaurantes populares, cuja ambiência os arquitetos remontaram na bienal.
No extremo oposto, o da grande obra de engenharia, há o vislumbre de outros territórios (geográficos) a serem abertos à atuação do arquiteto. Como o estudo desenvolvido em conjunto por 20 equipes de arquitetura para uma nova cidade agrícola no Norte do Peru - país estreante na bienal -, derivada do projeto Olmos Hidráulico.
A exposição israelente discorre sobre o processo acelerado de transformação - capitalista - do território desde a década de 1970, por influência dos EUA
Foto: Florian Holzherr
O argumento da mostra Museu da Cópia, concebida pelo escritório FAT, é o da validade da cópia de modelos arquitetônicos
O argumento da mostra Museu da Cópia, concebida pelo escritório FAT, é o da validade da cópia de modelos arquitetônicos
Foto: Francesco Galli/Bienal de Veneza
Trata-se de um túnel de 20 quilômetros de extensão (construído pela Odebrecht) que, atravessando os Andes, vai irrigar com águas amazônicas terras peruanas originalmente desérticas, de modo a ampliar a fronteira produtiva do país.
Os desafios ambientais, sociais, políticos e urbanos da União Europeia pontuam também as mostras em cartaz em Veneza, e o presidente da Fundação Bienal, Paolo Baratta, já anunciou para a próxima edição a criação de um pavilhão conjunto para os países do bloco. Este deverá ser um dos temas do evento de 2014.

Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 392 Outubro de 2012
Foto: Interboro
Imagem: OMA
Imagem: OMA
Imagem: OMA
Imagem: OMA
Spontaneous Interventions
Acima e abaixo, parte dos projetos selecionados para a mostra dos Estados Unidos, intitulada Spontaneous Interventions - Foto: Laura Olsson/Brolab
Spontaneous Interventions
Foto: The Uni Project
Spontaneous Interventions
Foto: Popularise
Spontaneous Interventions
Foto: Macro Sea
Spontaneous Interventions
Imagem: H.S. Collaborative
Spontaneous Interventions
Foto: Red Swing Project
Spontaneous Interventions
Imagem: Center for Urban Pedagogy
Spontaneous Interventions
Foto: Public ad Campaign
Spontaneous Interventions
Imagem: Nicholas de Monchaux
Spontaneous Interventions
Foto: Rebuild Foundation
Spontaneous Interventions
Fotos: Ken Mori

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Exposição no MCB – Lelé: arquiteto da saúde e do bem-estar | ArchDaily Brasil


Eventos


Exposição no MCB – Lelé: arquiteto da saúde e do bem-estar

Em parceria com o Instituto Holandês de Arquitetura (NAI) e a Universidade de Delft (Holanda), o Museu da Casa Brasileira, instituição da Secretaria de Estado da Cultura, realiza a primeira itinerância internacional da exposição do arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé. Sediado na cidade holandesa de Roterdã, o NAI abriga, até 10 de fevereiro de 2013, a exposição “Lelé: arquiteto da saúde e do bem-estar”. Para a ocasião, a curadoria da mostra, concebida por Giancarlo Latorraca (MCB) e Max Risselada (Universidade de Delf), recebeu contribuições de Jorn Konijn (NAI), com a inclusão de novas referências ao trabalho do arquiteto brasileiro, que busca a melhoria da qualidade de vida por meio da arquitetura produzida em larga escala.

A mostra possibilita apreender o apuro técnico e a grande inventividade das soluções propostas por Lelé, arquiteto seminal na implantação de uma espacialidade adequada ao homem e ao ambiente no Brasil, com seus projetos integrados corretamente à paisagem e ao seu contexto sociocultural.
Maquetes, desenhos, filmes e vídeo-animações compõem a exposição no NAI, revelando a naturalidade do arquiteto em projetar desde grandes espaços ao simples detalhe de um componente. Fotografias de hospitais, passarelas de pedestres, entre outros projetos, revelam o cuidado de Lelé na concepção de obras que possam gerar melhorias na qualidade de vida daqueles que delas se beneficiam.
Para maiores informações, confira a programação no site do MCB.
Local: Museu da Casa Brasileira
Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2705. São Paulo – SP

Citar: Britto , Fernanda . "Exposição no MCB – Lelé: arquiteto da saúde e do bem-estar" 21 Jan 2013. ArchDaily. Accessed 22 Jan 2013. <http://www.archdaily.com.br/92313>

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Vídeo: Paris in Motion (Parte 1) | ArchDaily Brasil

Vídeo: Paris in Motion (Parte 1)

Hoje, apresentamos um vídeo incrível de Paris, cidade retratada pelo artista pelo artista Mayeul Akpovi, através de uma sequência de mais de 3000 fotografias tiradas durante 5 dias.
Paris In Motion (Part I) from Mayeul Akpovi on Vimeo. http://vimeo.com/46106624
Este time lapse permite ao espectador percorrer por vários cantos e atrativos da cidade, capturando imagens de manhã até a noite, passando por lugares icônicos como Arco do Triunfo, a Torre Eiffel, o Louvre, o funicular de Montmartre e muito mais. Sem dúvida o protagonista é a arquitetura, que se justapõe através da relação entre edifícios e espaços de distintas épocas e estilos.
Mais adiante mostraremos a segunda parte deste projeto, por  enquanto, desfrutem as imagens de uma das cidades mais belas do mundo.
Citar: Britto , Fernanda . "Vídeo: Paris in Motion (P

sábado, 19 de janeiro de 2013

Concurso Internacional: Green Line Ideas | ArchDaily Brasil


Concurso Internacional: Green Line Ideas

Green Line Ideas  abriu a 4 de Dezembro as inscrições para arquitetos, arquitetos paisagistas, designers, urbanistas, artistas e membros da comunidade para criar propostas com um desenho visionário para o úso público de um corredor de transmissão elétrica no centro de Toronto, Canadá. Incentivam-se os participantes a proporem ideias audazes e soluções práticas para temas de importância pública como o transporte alternativo e problemas de segurança. As equipes multidisciplinares são bem-vindas. A convocatória está aberta a todas as propostas internacionais descubra a seguir os prêmios e o prazo de entrega.

O concurso tem como objetivo demonstrar o potencial deste corredor hidroelétrico, para além de fomentar a discussão sobre o uso público de espaços semelhantes em outras cidades do Norte da América. Imaginar as linhas de infraestrutura elétrica como um corredor verde para ciclistas e peões, ligados ao centro da cidade, num espaço público de lazer e  de equipamentos para os numerosos bairros ao longo de Toronto que se relacionam com ele.
A convocatória está aberta a todas as propostas internacionais, com o objetivo de ter um grande número de propostas possibilitando o diálogo e a acção sobre estes lugares. Os projetos não serão construídos, mas estão destinados a criar a consciência nas comunidades que lá vivem, estudam e trabalham perto da infraestrutura, e começar a pensar no futuro destes lugares.
Ainda que o concurso Green Line esteja pensado para Toronto, podemos encontrar corredores de transmissão elétrica como este no centro de muitas outras cidades. Assim sendo, este lugar e as propostas para ele podem ser utilizadas como casos de estudo.
Há um júri responsável pela premiação dos três primeiros lugares que atribuirá $3.000, $1.000 e $500 dólares, respetivamente. Se está interessado em parcipar as inscrições estão abertas e a data de entrega será a 4 de Fevereiro através do email greenlinetoronto.ca.
Citar: Alves , Jorge . "Concurso Internacional: Green Line Ideas" 18 Jan 2013. ArchDaily. Accessed 19 Jan 2013. <http://www.archdaily.com.br/92170>

Arquitetos protestam contra novo plano de Brasília usando máscaras de Niemeyer e Lúcio Costa/ ARCHDAILY


Arquitetos protestam contra novo plano de Brasília usando máscaras de Niemeyer e Lúcio Costa

Arquitetos protestam contra novo plano de Brasília usando máscaras de Niemeyer e Lúcio Costa
© Danilo Verpa/Folhapress